NEPOTISMO EM PORTUGAL



Os meios de comunicação social oferecem-nos inúmeras reportagens sobre o tema do nepotismo em Portugal:

POLITICO

The world may have gotten used to Ivanka and Jared in the White House but family ties are causing a commotion in Portuguese politics. After last month's government reshuffle, the Cabinet now features a married couple and a father-daughter pair, prompting allegations of nepotism from the opposition. The controversy has rocked Portugal's Socialist minority government — which last month survived a motion of no confidence lodged over a recent wave of public sector strikes — ahead of a general election scheduled for Octo

AEIOU

Na atual legislatura liderada por António Costa já são mais de 20 os governantes com relações de parentesco no mundo da política. Essas ligações não se ficam pelos ministros, passando igualmente pelos secretários de Estado, deputados, ex-governantes e assessores.

JORNAL ECONÓMICO

Há um ministro casado com uma ministra, outra ministra casada com um ex-deputado e outro ministro casado com uma deputada. Também há uma secretária de Estado que é filha de um ministro, outro secretário de Estado que é filho de um ex-governante e ainda um primo de um ex-líder do PS. Além dos amigos do primeiro-ministro. Todos com currículos adequados, ressalve-se. Nomeação de Rosa Matos Zorrinho para o cargo de secretária de Estado da Saúde é o exemplo mais recente desta tendência de seleção.

PÚBLICO

Em Portugal, a chegada das grandes multinacionais, principalmente a partir dos anos 1980, como as companhias petrolíferas e as farmacêuticas, veio mudar os hábitos. A interacção económica é intensa e as boas práticas generalizaram-se, por mimetismo. As grande empresas portuguesas adoptaram o regime meritocrático das multinacionais. Mas com uma ressalva: ao mais alto nível, há excepções a abrir. “Não propriamente nas administrações, mas ao nível de director, todas as grandes empresas empregam filhos de ministros, de presidentes.” Mesmo quando, em tudo o resto, funcionam segundo os mais elevados padrões meritocráticos. É o tributo a pagar por operar num país de tradição clientelar. “É preciso agradar ao poder político. Ao nível da elite, todos se conhecem e vivem da troca de favores.” Ao nível das pequenas e médias empresas, é outro mundo: o clientelismo, o nepotismo e o amiguismo são a lei. “O país funciona a quatro ou cinco velocidades. Em muitas PME, as decisões tomam-se na família, de dedo no ar, os directores são escolhidos por serem da família, rodeiam-se de incompetentes, como no início do século passado.” Para além da falta de formação e de noções de gestão, estas empresas enfrentam o problema do meio em que trabalham. Têm de lidar com os líderes do poder local, numa lógica dominante de corrupção e compadrio, e precisam de inserir-se socialmente no meio. “As pequenas empresas do interior têm de corresponder às expectativas das pessoas. Têm de dar emprego aos filhos da terra”, respeitando a importância das famílias e das hierarquias

SÁBADO

A revista SÁBADO poderia ter iniciado a sua indagação pelo meu tio -bisavô e pelo meu bisavô, que foram dirigentes do Partido Socialista Português fundado por Antero de Quental. Também, de permeio, poderia ter invocado o meu avô paterno, que foi presidente de junta de freguesia": Carlos César respondeu assim às questões da SÁBADO sobre o facto de várias pessoas do seu núcleo familiar mais próximo ocuparem cargos políticos e/ou de nomeação política. A saber, a mulher, Luísa César, o filho, Francisco César, a nora, Rafaela Teixeira, e o irmão, Horácio, até há poucas semanas. A abundância de Césares no poder ou próximos dele deu origem a críticas da oposição regional (em particular, no caso da nomeação de Luísa César), mas Carlos César, líder parlamentar, considera-as "infundadas, com motivações pessoais e partidárias". Acrescenta: "Mas respondo sempre com bonomia e com sentido de esclarecer quem quiser ser esclarecido."